Ainda tentando voltar.

Agora faz um frio de Artico, mas a microcozinha continua.

Em breve, em breve....

Estou de recesso.

E estou tentando voltar, mas com uma microcozinha e este calor de Índia, está difícil.

Nevertheless, tenho esperanças...

Sim.... têm mais de um mês que eu só venho aqui para pegar o link do blog da Patrícia e ficar com inveja do que ela está fazendo. Mas, os que me conhecem sabem o porquê da ausência. E da inveja também... 

Eu ia escrever sobre minha experiência quebrando o firewall da TAM, mas estou com preguiça. Basta saber que "falei com o Presidente" e tudo está certo. Acreditem, vocês podem vencer as camadas e camadas de imbecis que lhes atendem no serviço ao consumidor!

Uma hora dessas eu volto!

Momento de revolta

Eu não gosto do dia da mulher. Acho que não ajuda em nada e perdeu o seu significado original. Começou como um marco para que houvessem políticas de valorização da mulher, melhorias no trabalho, mudanças de comportamento, etc. Agora só serve para a gente ficar recebendo powerpoints e para os políticos falarem como somos maravilhosas. As ações, as mudanças, os reconhecimentos que são necessários, onde estão? Continuamos com uma representação política baixíssima (em qualquer lugar do mundo, salvo a Finlândia, para onde imigraria se não fosse o frio desumano), com salários 60% mais baixos que os dos homens mesmo fazendo o mesmo trabalho, com menos oportunidades de melhoria no trabalho, com jornada dupla e com as eternas piadinhas machistas inoportunas (brincadeiras são boas, falta de respeito não). Somos as secretárias, somos quem faz as atas das reuniões (o que me irrita muito, afinal homem não sabe escrever?), quem limpa a mesa das reuniões depois que todos saem, as copeiras, domésticas, e por aí vai. E, no entanto, somos praticamente metade da força de trabalho, pagamos nossos impostos e, de uma forma geral, já ultrapassamos os homens em nível educacional.


Claro que as coisas estão melhorando, e que avançou-se muito em menos de um século, blá blá blá. Mas isso não muda o fato de durante milhares de anos nós tenhamos sido o cocô do cavalo do bandido, de termos sido queimadas por sermos inteligentes e outras barbaridades que acontencem pelo mundo afora até hoje. E ainda assim, vem esse diazinho comemorativo babaca para a gente receber flores e parabéns!! Parabéns pelo o quê, cara-pálida?? Isso para mim é mais uma atitude paternalista, do tipo: "Vamos dar esse dia a elas, assim elas ficam satisfeitas e a gente continua a exploração." O pior é que grande parte da mulherada não se dá conta e acha liiindo (! e estridente) o tal do powerpoint. Então, oportunamente deixo aqui uma ilustração providencial que tirei do Pensando Enlouquece.



E em respeito, em jornada única - ou pelo menos bem dividida, em reconhecimento e oportunidades, em representatividade, etc etc etc....

Entusiasmo nerd...

Aha!!

Agora tenho uma Wiki em casa!

O mago do amor me adiciou no MSN. Segue a conversa:

 

mago-doamor@hotmail.com diz:

oi gatinha vc e da onde

Denise diz:

número 1. Eu não sou gatinha. Sou uma mulher de 40 anos, casada e muito bem casada

Denise diz:

Número 2. Você acha que esse papo pega alguém?

Denise diz:

número 3. Me adicionou porque, camarada?

Denise diz:

Então fio, te liga e procura outra. Mas muda o papo e esse apelido, tá?

Denise diz:

Conselho de quem sabe.

Denise diz:

Boa noite.

Denise diz:

PS. Esse apelido é ridículo.

mago-doamor@hotmail.com diz:

oi tudo bem com

mago-doamor@hotmail.com diz:

e assim que se comeca um papo

mago-doamor@hotmail.com diz:

2 nao quero pegar ninguem

mago-doamor@hotmail.com diz:

3 se liga vc nem me conhce

mago-doamor@hotmail.com diz:

4 so por que te add nao quer  dezer qque quero vc

Denise diz:

Ahã. Não te conheço. Não quero papo com quem não conheço e que me chama de gatinha. Menino, sinceramente, converse com alguém da sua idade, tá?

Denise diz:

Tchau.

 

(Aí ele muda o apelido para Naruto - um personagem de anime, mas continua com o MSN de mago do amor.)

naruto diz:

vc nem perguntou como peguei seu numero

naruto diz:

e muito marrenta

naruto diz:

mas gostei de vc

Denise diz:

Vou chamar meu marido para você conversar com ele.

(Entra o Max. Parece até teatro... onde for Denise, leia-se Max)

Denise diz:

aqui é o marido.

Denise diz:

vc tem razão: ela é marrenta, mesmo..

Denise diz:

Romário perde.

naruto diz:

pode crer

naruto diz:

gostei de vc

naruto diz:

mano

Denise diz:

ela é gatinha e eu sou mano?!!?

Denise diz:

cara, isso é uma revolução!!!

naruto diz:

nao lembro como entrei no seu msn

naruto diz:

sera que foi do chat

Denise diz:

duvido que seja...

Denise diz:

vc tem o que? 13 anos? 12?

Denise diz:

já passou da hora de dormir, garoto...

naruto diz:

eu tenho 25

naruto diz:

bem que eu queria ter 13

Denise diz:

'cê tá brincando!!

Denise diz:

25?

Denise diz:

e adota apelidos como "mago do amor"  e "Naruto"??

Denise diz:

cara, vc tem problemas sérios...

naruto diz:

vc mora aonde

Denise diz:

mas não se desespere...

Denise diz:

no fim, dá tudo certo...

Denise diz:

vc só precisa se manter calmo e não esquecer de tomar os remédios...

Denise diz:

bom, meu caro...

Denise diz:

foi um prazer.

naruto diz:

o mesmo

Denise diz:

por favor, retire o nome da Denise da sua lista e repense suas abordagens

naruto diz:

vc nao quer mesmo tc

naruto diz:

direito

naruto diz:

nao quer saber quem me deu seu msn

Denise diz:

são meio toscas e previsíveis... mulheres (de verdade) não gostam disso...

Denise diz:

não faço a menor idéia de como vc achou esse msn...\

naruto diz:

entao vamos tc

Denise diz:

vamos não... trabalho cedo amanhã, hora de ir para a cama.

Denise diz:

té mais.

Pode? Eu mereço....

Sou da tarde...

PS. I Love You

Não sei exatamente porque, mas estórias de amor interrompido enquanto havia muito amor entre os dois, sempre me levam às lágrimas. De soluçar como se tivesse acontecido comigo. Por amor interrompido não quero dizer a mulher abandonada ou o marido largado, e nem fim de relacionamento. Quero dizer duas pessoas que se amam profundamente e não podem estar juntas, seja pela morte de um deles, ou porque ele volta ao presente, ou porque ela nasce, ou qualquer outra situação real ou absurda.

Aos treze aninhos fui com a minha mãe assistir “Algum Lugar do Passado”, em um cinema em Ipanema. Quase saí de maca de tanto que eu chorava, não conseguia quase respirar. Fui soluçando no ombro da minha mãe que, depois que eu assisti ao filme umas dez vezes e quase fiquei desidratada, me proibiu de assistir de novo. E até hoje não voltei a ver tal filme. Mesma coisa com o filme “Made in Heaven” e tantos outros.

Aí, hoje, fui ver PS. I Love You. E ninguém me contou sobre o que era. Achei lindo e só não chorei mais porque fui com os cunhados e cunhadas e eu tenho que manter uma certa compostura. Se estivesse só com o marido, estaria fungando até agora. Enfim, tanta gente para morrer, ou se separar ou o que for, e é justamente com o casal (hetero ou homo) que se ama profundamente que isso acontece? Não! Muita sacanagem...

Então existe uma tristeza muito grande associada a estes acontecimentos para mim. Deve ser coisa de outra encarnação, pois meu amor está bem aqui do meu ladinho e eu já avisei que se ele morrer antes eu vou infernizar todas as encarnações futuras dele.

De qualquer jeito, antes da minha cirurgia, escrevi uma carta para o Max, caso eu morresse na mesa de cirurgia (e acreditem, lamentei algumas vezes, ao longo desses dois anos, aqueles médicos serem tão bons e eu tão teimosa) e nós fôssemos separados ainda nos amando. Coloquei a carta dentro de um livro e fiquei de contar para ele, antes de entrar para o centro cirúrgico, que livro ele deveria abrir. O vacilo foi que, na confusão de mostrar o mandato de segurança para o hospital me admitir e ainda às 7 da manhã (horário muito ingrato), eu esqueci de contar da carta e do livro. Considerando que nós temos cerca de mil livros nesta casa, só mesmo um milagre para ele achar a tal carta. E, venhamos e convenhamos, eu ainda estou a espera do tal milagre... Não tive nem de longe a presença de espírito do Gerry, para preparar tudo direitinho para o Max. Enfim, foi bom que eu não morri. Depois que consegui levantar os braços e pegar o livro, tirei a carta e rasguei. Nem reli o que tinha escrito.

Não tenho a menor intenção de escrever outra dessas.

As pessoas, volta e meia, me perguntam o que eu aprendi com o câncer. Eu respondo simplesmente que o tratamento deve ter causado danos cerebrais pois ainda não vi nenhum tipo de aprendizado construtivo. Vale apena ressaltar o construtivo, pois aprendizado destrutivo tive vários.

Enfim, uma das conseqüências desta experiência com o câncer é uma certa tendência a exageros, então, na realidade, aprendi algumas coisas sim e sedimentei outras, como por exemplo:

 

  1. Pedir ajuda sem pensar que eu vou ficar devendo algo. Aprendi que se a pessoa ajuda, ela o faz porque quer e eu não a devo nada. Se não quisesse ajudar mesmo, então tivesse coragem para dizer não. Isto não significa que eu não ajudo a pessoa, mas se faço é por que quero.
  2. Fazer o que eu quero e não os que os outros querem. Isso eu já vinha aprendendo há anos, mas sempre com um sentimento de culpa. Não sinto mais tanta culpa assim, ainda que tenha que me livrar de algumas outras incutidas desde a primeira infância.
  3. Perdoar, pedir desculpas e me perdoar. Se quem eu magoei não me perdoar, sinto muito, mas eu não carrego mais culpa por causa de outras pessoas. Elas que procurem um psicólogo.
  4. Não sou responsável pela felicidade de ninguém e ninguém é pela minha. Dura lição que já vem de algum tempo, mas o câncer ajudou a sedimentá-la. Só faço uma exceção: filhos. E mesmo assim, sou responsável até certo ponto.
  5. O que me leva à revelação de hoje. Descobri que, apesar de ter sempre sido tachada de egoísta, na realidade eu sou individualista. E isto não é ruim!

 

Então, para quem quer saber a diferença entre o individualismo e o egoísmo, leia este texto de Flávio Gikovate, tirado deste blog. Tiro de lá apenas algumas passagens:

 

 

(...)

O individualismo considera legítimo cuidar dos próprios interesses – o que não significa, em hipótese alguma, prejudicar os direitos daqueles que nos cercam. O individualista tem uma noção clara dos seus limites. Sem essa consciência da fronteira que separa os direitos alheios dos seus, ele não conseguiria se distinguir do todo e perderia seu individualismo. (...)

 

(...)

Egoístas são os que defendem profundas trocas de experiências entre as pessoas para tirar vantagem, já que exigem muito e dão pouco. Como não sobrevivem sem isso, acusam de egoísmo quem não aceita as regras desse jogo de dar muito e receber pouco. O alvo em geral são os individualistas, que não se prestam a esse tipo de manobra. Aos egoístas não resta outra saída a não ser se aproveitar dos generosos – aqueles que não se importam em receber muito menos do que seu empenho em doar mereceria. (...)

Eu sei que ninguém visita mais, porque eu não escrevo mais. É verdade, mas o meu amado me inspirou e resolvi dar uma pequena explicação sobre a minha ausência.

Razões

1. Preguiça;

2. Finalizando vários projetos:

     a. Um quilt para bebê;

     b. Blusas de tricô;

     c. Vários cookies para o Natal;

3. Iniciando outros (ou pelo menos tentando):

    a. Curso de batik;

    b. curso de desenho;

    c. outro quilt;

    d. roupas para mim;

    e. camisas do amado;

    e. bonecas;

    f. tear.

4. Estudando um tanto para engrandencimento pessoal (para quê ainda não sei...);

5. Ginástica praticamente todo dia (sim, é verdade. Já estou nessa há 6 semanas, indo à academia uma média de 5 vezes por semana; não rendo nada, não emagreço, mas pelo menos posso dizer que vou);

6. Época de exames (tudo em cima);

7. Participação ativa em fóruns de adoção e de câncer;

8. Gatos (um deles um bebêzinho lindo e o outro com crise de ciúmes).

Acho que já deu para justificar, né?

Em breve divulgarei o resultado de alguns projetos...

Meu amado não conta na minha lista de razões pois é a constante na minha vida que nunca atrapalha nada e sempre acrescenta.

 

No final o que é desanimador é a falta de perspectiva, seja ela qual for. A certeza de que nada vai melhorar e de que as poucas coisas boas estão pouco a pouco se acabando, deprime qualquer um.

Se pelo menos alguém pudesse mostrar algo neste país que funciona bem ou se não funciona bem, está a caminho de melhora... eu não consigo ver nada.

Se alguém souber, avisa?

Mais uma campanha

 

Eu tenho um grande problema com essas campanhas contra câncer de mama. Na realidade elas não tendem a ser informativas e muitas vezes são justamente o contrário. Eu vi o cartaz desta campanha e fiquei pensando o quanto ele é prejudicial para a população. O cartaz diz em letras grandes que câncer de mama tem cura, mas não informa que tipo, que estágio, nada. Sei que o fator "não curável" assusta muitas pessoas e pode ser inclusive ruim no prognóstico de melhora, mas será que a falta de informação correta também não é?

Até hoje eu não encontrei um médico que me apresentasse evidências científicas que câncer de mama tem cura. Cura real eu quero dizer. Uma coisa é me dizer que eu não tenho mais o tumor, mas outra, bem diferente, é dizer que eu estou curada. Se eu estou curada, então porque tenho que ficar indo ao médico todo ano e ficar em controle? Por que tenho que tomar remédio durante anos? Se estou curada, por que não posso fazer reposição hormonal para me livrar desses horrorosos sintomas da menopausa? Se há cura, então por que várias mulheres (e eu conheço várias realmente) se trataram em estágio inicial e anos depois apareceram com metástases distantes, onde a tal cura realmente não é mais possível?

Eu acho que seria muito melhor desmistificar o câncer em vez de ficar dando o que muitas vezes são falsas esperanças. Desmistificar porque quando alguém pensa em câncer, pensa logo em morte, dor e péssima qualidade de vida. Os filmes e livros que apelam para as nossas emoções estão aí para colocar isto em nosso consciente e inconsciente. Esta forma de pensar é que deve ser mudada. Justo que várias pessoas morrem, mas isso também acontece com outras doenças.

Para a vasta maioria de mulheres, senão a totalidade, o câncer é uma condição; é como ter diabetes, ou hipertensão, ou qualquer outra doença que precise de controle. Mas ninguém tem a reação a essas doenças que se tem ao câncer! Precisamos de campanhas que façam com que a população veja que mesmo o câncer não tendo cura como, por exemplo, uma pneumonia, o câncer não é uma sentença de morte. Nem é uma sentença de vida miserável.

Outro problema que tenho com essas campanhas é que, primeiro, genética é responsável apenas por cerca de 5% dos cânceres. O que acontece com os outros 95%? A mamografia anual depois dos 40 anos não pega a população crescente de mulheres que, como eu, tiveram câncer na casa dos 30. O famoso exame mensal (atenção, acho que deve ser feito) não pega vários cânceres em estágio inicial e até mesmo mais avançado. Nem os médicos conseguiram detectar com toque o meu tumor que quando foi retirado, já media 2,3 cm.

A outra frustração que tenho com essas campanhas é que elas nunca focalizam na necessidade de tratamento humano e global. Só focalizam na detecção. E depois da detecção? O que fazer? Ninguém informa. Não focalizam na vida após o câncer, como lidar com as seqüelas físicas, emocionais, as relações familiares, empregatícias, etc.

Eu vejo essas campanhas com muito cinismo. Para mim elas são apenas uma forma dos médicos, políticos, fundações, empresas farmacêuticas justificarem suas verbas.

Enfim... eu tinha necessidade de botar para for algumas das minhas frustrações ao longo desta jornada...

 

Mais uma dos ladrões...

que desgovernam este circo chamado Brasil.

Minha odisséia com o DETRAN de Brasília. Eu, todo dia, estaciono no mesmo local para trabalhar. Um pequeno estacionamento público, onde as vagas são disputadas deslealmente pelos que trabalham e pelo público, que sempre perde.
Enfim, um belo dia eu recebo uma multa do Detran dizendo que parei em local proíbido, ao lado do prédio do STF. Acontece que o prédio do STF tem na frente e ao lado uma via apenas de táxis, onde ninguém mais pode parar; tem do mesmo lado o estacionamento público; do outro lado uma via de mão única e atrás, nada (um barranco). O único lugar possível de se estacionar é o estacionamento público, onde eu estava. A não ser que eu parasse o carro no ar, e mesmo assim, no ar não é proíbido...

Entrei com recurso, e, meses depois, vi que o julgamento me foi desfavorável. Por que, pergunto eu? Eles simplesmente disseram que o local é proíbido. Sem mais nenhuma explicação. Como, cara-pálida? É um estacionamento!!!!!

Não há fim para a ganância, burrice e incompetência do serviço público, que de público não tem nada, só serve para benefício próprio!!

My Sentiments, precisely

 

“My infertility is a blow to my self-esteem, a violation of my privacy, an assault on my sexuality, a final exam on my ability to cope, an affront to my sense of justice, a painful reminder that nothing can be taken for granted. My infertility is a break in the continuity of life. It is above all, a wound - to my body, to my psyche, to my soul.”

 

From here.

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