As pessoas, volta e meia, me perguntam o que eu aprendi com o câncer. Eu respondo simplesmente que o tratamento deve ter causado danos cerebrais pois ainda não vi nenhum tipo de aprendizado construtivo. Vale apena ressaltar o construtivo, pois aprendizado destrutivo tive vários.

Enfim, uma das conseqüências desta experiência com o câncer é uma certa tendência a exageros, então, na realidade, aprendi algumas coisas sim e sedimentei outras, como por exemplo:

 

  1. Pedir ajuda sem pensar que eu vou ficar devendo algo. Aprendi que se a pessoa ajuda, ela o faz porque quer e eu não a devo nada. Se não quisesse ajudar mesmo, então tivesse coragem para dizer não. Isto não significa que eu não ajudo a pessoa, mas se faço é por que quero.
  2. Fazer o que eu quero e não os que os outros querem. Isso eu já vinha aprendendo há anos, mas sempre com um sentimento de culpa. Não sinto mais tanta culpa assim, ainda que tenha que me livrar de algumas outras incutidas desde a primeira infância.
  3. Perdoar, pedir desculpas e me perdoar. Se quem eu magoei não me perdoar, sinto muito, mas eu não carrego mais culpa por causa de outras pessoas. Elas que procurem um psicólogo.
  4. Não sou responsável pela felicidade de ninguém e ninguém é pela minha. Dura lição que já vem de algum tempo, mas o câncer ajudou a sedimentá-la. Só faço uma exceção: filhos. E mesmo assim, sou responsável até certo ponto.
  5. O que me leva à revelação de hoje. Descobri que, apesar de ter sempre sido tachada de egoísta, na realidade eu sou individualista. E isto não é ruim!

 

Então, para quem quer saber a diferença entre o individualismo e o egoísmo, leia este texto de Flávio Gikovate, tirado deste blog. Tiro de lá apenas algumas passagens:

 

 

(...)

O individualismo considera legítimo cuidar dos próprios interesses – o que não significa, em hipótese alguma, prejudicar os direitos daqueles que nos cercam. O individualista tem uma noção clara dos seus limites. Sem essa consciência da fronteira que separa os direitos alheios dos seus, ele não conseguiria se distinguir do todo e perderia seu individualismo. (...)

 

(...)

Egoístas são os que defendem profundas trocas de experiências entre as pessoas para tirar vantagem, já que exigem muito e dão pouco. Como não sobrevivem sem isso, acusam de egoísmo quem não aceita as regras desse jogo de dar muito e receber pouco. O alvo em geral são os individualistas, que não se prestam a esse tipo de manobra. Aos egoístas não resta outra saída a não ser se aproveitar dos generosos – aqueles que não se importam em receber muito menos do que seu empenho em doar mereceria. (...)

Eu sei que ninguém visita mais, porque eu não escrevo mais. É verdade, mas o meu amado me inspirou e resolvi dar uma pequena explicação sobre a minha ausência.

Razões

1. Preguiça;

2. Finalizando vários projetos:

     a. Um quilt para bebê;

     b. Blusas de tricô;

     c. Vários cookies para o Natal;

3. Iniciando outros (ou pelo menos tentando):

    a. Curso de batik;

    b. curso de desenho;

    c. outro quilt;

    d. roupas para mim;

    e. camisas do amado;

    e. bonecas;

    f. tear.

4. Estudando um tanto para engrandencimento pessoal (para quê ainda não sei...);

5. Ginástica praticamente todo dia (sim, é verdade. Já estou nessa há 6 semanas, indo à academia uma média de 5 vezes por semana; não rendo nada, não emagreço, mas pelo menos posso dizer que vou);

6. Época de exames (tudo em cima);

7. Participação ativa em fóruns de adoção e de câncer;

8. Gatos (um deles um bebêzinho lindo e o outro com crise de ciúmes).

Acho que já deu para justificar, né?

Em breve divulgarei o resultado de alguns projetos...

Meu amado não conta na minha lista de razões pois é a constante na minha vida que nunca atrapalha nada e sempre acrescenta.

 

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