PS. I Love You

Não sei exatamente porque, mas estórias de amor interrompido enquanto havia muito amor entre os dois, sempre me levam às lágrimas. De soluçar como se tivesse acontecido comigo. Por amor interrompido não quero dizer a mulher abandonada ou o marido largado, e nem fim de relacionamento. Quero dizer duas pessoas que se amam profundamente e não podem estar juntas, seja pela morte de um deles, ou porque ele volta ao presente, ou porque ela nasce, ou qualquer outra situação real ou absurda.

Aos treze aninhos fui com a minha mãe assistir “Algum Lugar do Passado”, em um cinema em Ipanema. Quase saí de maca de tanto que eu chorava, não conseguia quase respirar. Fui soluçando no ombro da minha mãe que, depois que eu assisti ao filme umas dez vezes e quase fiquei desidratada, me proibiu de assistir de novo. E até hoje não voltei a ver tal filme. Mesma coisa com o filme “Made in Heaven” e tantos outros.

Aí, hoje, fui ver PS. I Love You. E ninguém me contou sobre o que era. Achei lindo e só não chorei mais porque fui com os cunhados e cunhadas e eu tenho que manter uma certa compostura. Se estivesse só com o marido, estaria fungando até agora. Enfim, tanta gente para morrer, ou se separar ou o que for, e é justamente com o casal (hetero ou homo) que se ama profundamente que isso acontece? Não! Muita sacanagem...

Então existe uma tristeza muito grande associada a estes acontecimentos para mim. Deve ser coisa de outra encarnação, pois meu amor está bem aqui do meu ladinho e eu já avisei que se ele morrer antes eu vou infernizar todas as encarnações futuras dele.

De qualquer jeito, antes da minha cirurgia, escrevi uma carta para o Max, caso eu morresse na mesa de cirurgia (e acreditem, lamentei algumas vezes, ao longo desses dois anos, aqueles médicos serem tão bons e eu tão teimosa) e nós fôssemos separados ainda nos amando. Coloquei a carta dentro de um livro e fiquei de contar para ele, antes de entrar para o centro cirúrgico, que livro ele deveria abrir. O vacilo foi que, na confusão de mostrar o mandato de segurança para o hospital me admitir e ainda às 7 da manhã (horário muito ingrato), eu esqueci de contar da carta e do livro. Considerando que nós temos cerca de mil livros nesta casa, só mesmo um milagre para ele achar a tal carta. E, venhamos e convenhamos, eu ainda estou a espera do tal milagre... Não tive nem de longe a presença de espírito do Gerry, para preparar tudo direitinho para o Max. Enfim, foi bom que eu não morri. Depois que consegui levantar os braços e pegar o livro, tirei a carta e rasguei. Nem reli o que tinha escrito.

Não tenho a menor intenção de escrever outra dessas.

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, English
Visitante número: